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Razão e Fé

Hoje vi  “Anjos e Demônios”. Curti demais, apesar do livro ser mais denso, o filme funciona bastante.Mas, tiraram do filme o mais legal do livro, o debate entre ciência e fé.

A ciência evoluiu a tal ponto onde podemos sim considerarmos ela como uma fé. Se você acredita em algo você tem fé naquilo. Muita gente acredita na ciência.

O livro deixa claro a luta da igreja para tentar “demonizar” a ciência, assim como ela faz na vida real. Células-tronco, alguém grita no fundo da sala. Aliás nem se precisa ir tão longe, sexo seguro não é permitido pela igreja.

Antigamente as pessoas não sabiam explicar certos fenômenos e atribuam eles aos Deuses. Hoje, a ciência explica muita coisa mas, por medo, as pessoas continuam a acreditar em doutrinas atrasadas que não visam apenas o bem de quem segue seus dogmas, mas sim o seu prórpio caminho e poder.

Não vejo problema em ter fé, mas, o problema são as doutrinas. Mesmo a ciência tem suas falhas. As doutrinas estão levando o homem ao abismo, não fazendo ele pensar por si só. Você deve ajudar o próximo porque é o certo a se fazer, e não porque você vai para o inferno se deixar de fazê-lo.

As doutrinas, se aproveitando da fé das pessoas, estão transformando elas em capachos, em soldados. Hoje em dia se mata em nome de Deus. E eu creio que ele não está satisfeito com isso.

A razão deve prevalecer. Sempre. Antigamente a Ciência era a voz da razão, mas por motivos egoístas, está acabando indo pelo mesmo caminho do seus opostos. Mas, com a razão prevalecendo, você entra no emaranhado de egoísmo das doutrinas, e tira somente o que é certo, deixando o egoísmo de lado. Dogmas atrasam a evolução. E a evolução é cruel com quem fica para trás. Se chama seleção natural.

Eu sou tudo que você precisa

Eu sou tudo que você precisa, era só isso que ele ia dizer a ela quando a visse. Estava pensando isso desde que a tinha visto pela primeira vez. Fazia poucas semanas, ele tinha ido numa festa e a viu num vestido branco simples. Encantou-se no primeiro sorriso que ela deu. Na mesma festa ficaram juntos pela primeira vez, os corpos se fundindo em perfeita sincronia. Tinham futuro, muito por sinal, mas o destino parece pensar estranho algumas vezes. Ela tinha namorado, e embora depois da festa eles tivessem se falado por telefone e tudo o mais, ele não via alguma saída de como ficar com ela, embora o dano estivesse feito, e ele estivesse apaixonado. E ela também.

Pensou durante semanas no que ia falar para ela, mas optou por falar pouco, e botou toda a sua esperança naquela frase. Ele ligou e marcou um encontro. Disse que tinha algo importante para falar com ela.

Na data marcada, um sábado nublado, ele chegou meia hora antes no local que iam se encontrar. Mascou um pacote inteiro de Trident nessa meia hora. Ele a viu chegar e seu coração acelerou, além de sentir aquele frio na barriga, aquela tensão de que algo vai acontecer. Sua respiração saia tremida e, embora não soubesse no que tudo aquilo ia resultar, podia ouvir os trompetes da esperança tocando ao fundo.

Confiança, ele pensava, confiança.

Cumprimentaram-se e ele sentiu que ela estava igualmente nervosa. E após os beijos na bochecha e os oi’s habituais ele falou logo de uma vez a frase que estava querendo sair da sua boca a semana inteira.

“Eu sou tudo o que você precisa”, ele disse.

Ela demorou 6 segundos para responder. Esses 6 segundos pareceram a eternidade. Nesses 6 segundos ele sentia o coração bater tão forte, que fazia o seu corpo inteiro tremer. Sentiu-se enjoado durante aqueles seis segundos, além do ar faltar dos seus pulmões naquele momento.

“Eu sei”, ela disse, com um sorriso no rosto e uma lágrima de felicidade que descia solitária sobre sua face.

Beijaram-se embaixo de um raio de Sol, que por algum motivo tinha furado as nuvens e resolvido aparecer ali.

Quem dera a vida fosse fácil que nem um pequeno conto de amor.

Chega de Saudade

Esses últimos dias tenho sentido bastante saudade do passado. Um sentimento de nostalgia e saudosismo que me deixa ao mesmo tempo feliz e triste, o que é angustiante ao máximo. Sinto saudade de reviver aqueles tempos onde tudo era mais fácil, mais simples. Graças a tudo aquilo que vivi formentei basicamente alguns dos pilares que considero os mais fortes em mim, como o apego e a form de usar minha imaginação, meu “vício” por sempre querer saber mais e mais, e outras tantas coisas. Mas claro, tudo isso de alguma forma se perdeu. Sim, eu sei que está tudo vivo na minha cabeça, mas eu ainda hoje, não digo me arrependo, jamais me arrependerei de algo, mas, sinto que vacilei de alguma forma, devia ter aproveitado mais, não sei, não consigo descrever.

Mas a gente cresce, e segue em frente, é assim que eu acredito. Acho que aí que mora o ponto chave, não deixar mais que esse sentimento indescritível exista no futuro, quando eu lembrar dessa época da minha vida. Ledo engano, claro, de alguma forma o ser humano nunca se contenta com o que têm.

E se elevadores não existissem?

Era uma longa escada, mas ele continuava a subir, ele tinha que continuar subindo. Já estava bem cansado, quando começou a subir ele corria, agora ele já estava quase se rastejando. Apenas alguns minutos devem ter passado desde que começou a subir, mas para ele parecia uma eternidade.

O prédio parece menor do lado de fora, ele pensava, mas agora não importava mais o tamanho, ele já via o final.

Abriu a porta arfando demais, e deixou o ar frio do topo da cidade entrar no seu nariz, indo até os pulmões. Embora os carros continuassem buzinando e os vendedores ambulantes continuassem gritando que 3 dvds são 10 reais, ele só ouvia o vento cantar no seu ouvido. Esses barulhos tinham ficado pra trás, la embaixo.

Ainda arfando foi até a marquise e olhou para a cidade, uma imagem bela ele viu, com o Sol brilhando entre os prédios.

Bonito, ele pensava olhando para a cena, enquanto tateava o bolso a procura do celular.

Puta merda, ele exclamou quando olhou no visor do aparelho, nem aqui tem sinal nessa porra?

Pimenta

Me passe a pimenta, foi o que ele disse para quebrar o gelo na mesa. A tempos queria levar Suzanete para jantar, ela sempre negando porque dizia ter um namorado. Um dia ela diz não ter mais namorado e pergunta se o convite ainda estava de pé. Como qualquer homem que foi pisado anteriormente por alguma mulher, ele diz que sim prontamente, tira todo o dinheiro da poupança e a leva para jantar num restaurante fodaço.

-Me passe a pimenta

-Ih, tu gosta de pimenta? Minha cunhada disse que dá câncer.

-Quê?

-Dá cancêr. Ela disse que viu no jornal ou algo assim.

-Mas não faz sentido pimenta dar câncer.

-Aaa, mas ela disse né, vai saber.

Na cabeça dele ecoavam vários adjetivos para ela: idiota, burra, beócia, animal, jegue, babaca, e tantos outros. Ainda assim, no fundo a esperança queimava no coração dele, “vai mesmo que pimenta da câncer, né?”

-Mas em, ela diz para puxar outro assunto, ouvi dizer que o Obama é o novo anticristo, fiquei com medo ate, você soube?

Sem discussão dessa vez, nosso herói se levanta, com o prato em mãos e num movimento joga o prato como se fosse um frisbee, separando a cabeça de Suzanete do seu corpo.

-Burra, ele resmunga, e após esse ato sent, e continue a comer seu bobó de camarão, com pimenta.

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