O ar parecia pesado, dificil de se respirar. O tempo passava devagar, segundos pareciam horas. Ele tinha um sério cacoete de passar as mãos no cabelo enquanto estava nervoso, por isso o penteado tão bem feito de manhã já estava todo desfigurado. Os atomos do corpo dele exalavam a tensão.
Há muito tempo esperava aquele momento. Depois de anos de investigação finalmente ia triunfar. O maior criminoso da história ia virar um merda naquele dia, ia para trás das grades e tudo por sua causa. Ele só precisava manter a testemunha viva. A testemunha era o braço direito do mafioso e o unico meio de botá-lo atrás das grades. O único.
Tommaso Brutus era amigo de infância do “rei do crime”, sempre brincavam juntos e coisas do tipo. Quando o Rei começou a ganhar notoriedade na cidade e começou a crescer levou Tommaso junto. Tommaso nunca trairia seu amigo, que lhe dava todo tipo de regalias e confortos. Não trairia pelo menos no inicio. Tommaso acabou por descobrir que o Rei tinha um caso com a sua esposa e foi peitá-lo, tirar satisfações. O Rei tirou tudo o que ele tinha, então Tommaso jurou vendetta. Uma vendetta não de morte, mas de sofrimento encarcerado.
O detetive conseguiu proteger Tommaso durante 5 dias, só mais algumas horas e tudo daria certo. Nesses 5 dias ninguem havia tentando matar Tommaso, então o detetive tinha certeza que o Rei iria tentar algo hoje.
Tommaso e o detetive estavam sentados na sala, sentindo o peso da situação a sua volta. 8 e meia, o detetive levanta. Tommaso o acompanha. É a parte final da operação Crucifixo, onde o detetive e sua equipe irão levar a testemunha ao tribunal. Às 8 e 35 todos estão dentro do carro, com a sirene ligada e andando no máximo de velocidade em direção ao tribunal.
Eles viram uma esquina, e o tempo de virar é uma eternidade. Dois homens se encontram de casaco na calçada, eles empunham as armas. Ao passar os homens eles veêm que são apenas dois transeuntes. A paranoia começa a tomar conta deles. Todo mundo na rua é um possivel assassino.
O motorista alterna entra andar rápido e devagar. Não queria que acontecesse o que aconteceu com o juiz há uns anos atrás, que enquanto ia ao aeroporto bateu numa parede de asfalto, que se formou quando o marginal estorou as dinamites antes do carro passar.
As cabeças giram de um lado para o outro a procura do potencial suspeito de cometer o atentado. Tommaso reza a Nossa Senhora a viagem inteira.
Chegam ao tribunal depois de 20 minutos. 20 minutos que pareceram 20 séculos. Descem do carro, olham para os lados e correm para dentro do tribunal.
São 9 e 15, Tommaso começa o seu depoimento.
O detetive respira aliviado, tudo deu certo, graças a Deus.
São 9 e 16, um homem entra correndo no tribunal, abre o casaco e mostra uma tonelada de dinamite amarrada ao peito.
São 9 e 17, tudo não passa de fogo, escombros, fumaça e cinzas.
O Rei observa tudo do seu quarto. Pega um livro na cabeceira da cama e dá um beijo no rosto de Maquiavel.