Refratário

O doce me vez girar e girar, quando me dei conta estava no famoso mundo das mil cores. Tudo era vivo e colorido, uma simplas folha, com seu verde fluorescente, marcava sua forma na retina do meu olho. Os rios subiam e desciam literalmente, com suas águas da cor do arco íris. Rolei na grama durante horas, sentindo o cheiro de vida que subia dos pedaços que eu amassava enquanto rolava. Avistei uma árvore gigante, carregada com todos tipos de frutos, embora um unico em cima dela me chamasse a atenção. Era redondo e brilhava muito, como um pequeno Sol que dá em árvores. Corri para a grande árvore para pegar a fruta e ao chegar as raízes anciãs decidi ir voando, e não ir subindo de galho em galho. A cada metro que subia deslizando no ar, meu coração acelerava e eu ficava mais ansioso. O vento batia cada vez mais forte e quando começou a ficar frio cheguei no topo da árvore. Encarei o fruto no que me pareceram horas. O que cria e destrói estava ali, na minha frente. Comi e explodi como uma estrela em supernova. Minhas particulas voaram para todos os lados mas, quando as chamei de volta, elas se juntaram novamente. Quando agrupadas novamente meu corpo não era mais ossos e músculos, mas sim energia pura. Eu era o Sol. Me senti mais rápido, mais forte, mais inteligente. Olhei para o céu e fui em direção ao meu igual. Chegando lá vi que ele também era um homem, entendi tudo, e sorri.

Ampulheta

Eu quero que o tempo pare. Agora.

Muita coisa passa, muita coisa voa e pouco tempo eu tenho pra fazer tudo.

Hoje, me olhando no espelho vi um fio de cabelo branco. E pensar que até pouco tempo atrás eu olhava para o mesmo espelho na ponta dos pés, porque não o alcançava.

Quando eu era criança muita gente falava para eu aproveitar aquela época porque ela não volta mais. Hoje em dia falo o mesmo para as crianças.

O futuro que eu olhava e queria que chegasse logo, agora passou por mim e virou pretérito.

Cappuccino em Sainte-Agnès

Fazia frio em Sainte-Agnès naquele noite. A neblina envolvia todas as casas de pedra da região. Eu andava pelas ruas a esmo, tentado botar os pensamentos em ordem. Nos primeiros 14 minutos o frio não me incomodava, mas depois desse tempo, mesmo eu usando o casaco, o frio me afetava. Minha boca tremia levemente.

Apertei o casaco mais pra perto do corpo e lembrei que meus pais o tinham comprado pra mim, quando fali a eles que viria morar na França. Eles, como todo mundo, achavam que a França era só Paris, torre Eiffel e etc. Quando falei o nome Sainte-Agnès ficaram logo confusos, mas como era eu que ia, e não eles, o nome da comuna não importava.

Passei em frente a um café, entrei e me sentei. Meu corpo deu graças por eu ter entrado num lugar mais quente. Pedi um cappuccino e enquanto esperava fiquei fitando a janela. A neblina estava diminuindo. O cappuccino chegou e eu voltei a pensar no que estava me incomodando naquela noite. O cappuccino me fazia pensar melhor.

Razão e Fé

Hoje vi  “Anjos e Demônios”. Curti demais, apesar do livro ser mais denso, o filme funciona bastante.Mas, tiraram do filme o mais legal do livro, o debate entre ciência e fé.

A ciência evoluiu a tal ponto onde podemos sim considerarmos ela como uma fé. Se você acredita em algo você tem fé naquilo. Muita gente acredita na ciência.

O livro deixa claro a luta da igreja para tentar “demonizar” a ciência, assim como ela faz na vida real. Células-tronco, alguém grita no fundo da sala. Aliás nem se precisa ir tão longe, sexo seguro não é permitido pela igreja.

Antigamente as pessoas não sabiam explicar certos fenômenos e atribuam eles aos Deuses. Hoje, a ciência explica muita coisa mas, por medo, as pessoas continuam a acreditar em doutrinas atrasadas que não visam apenas o bem de quem segue seus dogmas, mas sim o seu prórpio caminho e poder.

Não vejo problema em ter fé, mas, o problema são as doutrinas. Mesmo a ciência tem suas falhas. As doutrinas estão levando o homem ao abismo, não fazendo ele pensar por si só. Você deve ajudar o próximo porque é o certo a se fazer, e não porque você vai para o inferno se deixar de fazê-lo.

As doutrinas, se aproveitando da fé das pessoas, estão transformando elas em capachos, em soldados. Hoje em dia se mata em nome de Deus. E eu creio que ele não está satisfeito com isso.

A razão deve prevalecer. Sempre. Antigamente a Ciência era a voz da razão, mas por motivos egoístas, está acabando indo pelo mesmo caminho do seus opostos. Mas, com a razão prevalecendo, você entra no emaranhado de egoísmo das doutrinas, e tira somente o que é certo, deixando o egoísmo de lado. Dogmas atrasam a evolução. E a evolução é cruel com quem fica para trás. Se chama seleção natural.

Eu sou tudo que você precisa

Eu sou tudo que você precisa, era só isso que ele ia dizer a ela quando a visse. Estava pensando isso desde que a tinha visto pela primeira vez. Fazia poucas semanas, ele tinha ido numa festa e a viu num vestido branco simples. Encantou-se no primeiro sorriso que ela deu. Na mesma festa ficaram juntos pela primeira vez, os corpos se fundindo em perfeita sincronia. Tinham futuro, muito por sinal, mas o destino parece pensar estranho algumas vezes. Ela tinha namorado, e embora depois da festa eles tivessem se falado por telefone e tudo o mais, ele não via alguma saída de como ficar com ela, embora o dano estivesse feito, e ele estivesse apaixonado. E ela também.

Pensou durante semanas no que ia falar para ela, mas optou por falar pouco, e botou toda a sua esperança naquela frase. Ele ligou e marcou um encontro. Disse que tinha algo importante para falar com ela.

Na data marcada, um sábado nublado, ele chegou meia hora antes no local que iam se encontrar. Mascou um pacote inteiro de Trident nessa meia hora. Ele a viu chegar e seu coração acelerou, além de sentir aquele frio na barriga, aquela tensão de que algo vai acontecer. Sua respiração saia tremida e, embora não soubesse no que tudo aquilo ia resultar, podia ouvir os trompetes da esperança tocando ao fundo.

Confiança, ele pensava, confiança.

Cumprimentaram-se e ele sentiu que ela estava igualmente nervosa. E após os beijos na bochecha e os oi’s habituais ele falou logo de uma vez a frase que estava querendo sair da sua boca a semana inteira.

“Eu sou tudo o que você precisa”, ele disse.

Ela demorou 6 segundos para responder. Esses 6 segundos pareceram a eternidade. Nesses 6 segundos ele sentia o coração bater tão forte, que fazia o seu corpo inteiro tremer. Sentiu-se enjoado durante aqueles seis segundos, além do ar faltar dos seus pulmões naquele momento.

“Eu sei”, ela disse, com um sorriso no rosto e uma lágrima de felicidade que descia solitária sobre sua face.

Beijaram-se embaixo de um raio de Sol, que por algum motivo tinha furado as nuvens e resolvido aparecer ali.

Quem dera a vida fosse fácil que nem um pequeno conto de amor.

Próxima Página »